segunda-feira, 27 de julho de 2015

Esse mundo não merece nossa tristeza



Você sabe que eu nunca quis amar
E foi o que mais fiz na vida
Aliás, achava que fazia
Eu achava que sabia o que era amar
O que era amor

Achava que ele era mais intenso quando eu tinha que provar algo
Suportar algo
Superar algo
E nesses momentos eu nunca tinha forças pra fazer nada disso

Então eu te conheci
E não quis amar
E quando me percebi já amava
E me sentia estranha, porque era diferente de tudo
De todo amor que já havia sentido

Você me mostrou coisas que eu nunca vi
E viu em mim o que sempre tentei esconder
E me amava em todos os momentos, em todos os pedaços de mim
E meus defeitos

E eu vi em você o que tentava esconder
E te amava em todos os momentos, em todos seus pedaços
Seus defeitos

E não importava o quê, o mundo parecia sempre nosso
Até sentadas numa praça comendo donuts.
Nossas conversas não tinham fim
Nossos assuntos nunca terminavam

As pessoas não nos entendiam
Não nos enxergavam
Éramos ninguém numa multidão mesquinha
Egoísta e má
E todos falavam mal e apontavam o dedo

Dávamos as mãos e nada parecia problema.
Se eu tinha você
Tinha paz.

Agora já são cinco anos
E nos vejo nas fotos antigas
Duas crianças alegres que nem sabiam o que ainda iriam passar
O quanto ainda teriam que provar
Quantas lágrimas iriam chorar

Ainda vemos uma na outra coisas que nunca vimos
Até as que tentamos esconder
E nos amamos em todos os momentos, em todos os pedaços
Nossos defeitos

E o mundo já não parece mais nosso
Mas temos nosso próprio mundo.
Sentadas na sala de nossa casa montando quebra-cabeças
Nossas conversas não tem fim
Nossos assuntos não terminam

As pessoas ainda não nos entendem
Não nos enxergam
Somos ninguém numa multidão mesquinha
Egoísta e cada vez mais má
E todos falam mal e apontam o dedo

E damos as mãos
E enfrentamos os problemas
Eu tenho você
Tenho paz

Você me dá todos os dias o que preciso para superar os problemas
Você me dá amor incondicional
Você me olha e vê o que nenhuma pessoa viu
E você sabe quem eu sou.

E eu te amo cada dia mais
A cada acordar ao seu lado
Em cada problema superado

Eu te amo não por você
Mas por mim
E pelo o que eu jamais seria se não tivesse encontrado você.
Obrigada por existir, meu amor.




quinta-feira, 23 de julho de 2015

23/07

Você se foi tão breve
Mas nada suave
Como sempre gostou, se tornou notável.

Mas você foi em silêncio
E costumava fazer barulho
Podia ter ido em claro
Mas se foi no escuro

E eu consigo imaginar como você seria
Com alguns fios de cabelo branco e rugas talvez

Mas você se foi
Então os fios de cabelo não importam
Nem as rugas que nunca vieram
Que nunca vou notar

E você ia ser o mais velho
Ia ter trinta e quatro
Ia continuar a me carregar
Mesmo eu odiando isso.

E eu ia sorrir e chorar intensamente
Durante esses oito anos se ficasse
Eu sinto e não sinto sua falta, espero que entenda.
E feliz aniversário.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Para Agnes

Eu sempre tive uma nostalgia infantil em encontrar minha outra metade.
Um outro coração solitário para chamar de "meu"
Acontece que a vida não corresponde à nossos anseios de forma lógica, previsível ou calculada.

Eu procurava algo que acreditava não existir, por isso nada encontrei.
Em você, nada, encontrei tudo que precisava.
Por fim, um casal, quebrado, "anormal", mas feliz.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Barulhos

Quem me conhece há muito tempo sabe a pá de merda que eu já passei. E eu bem sei que já cansei de passar tudo isso, gradativamente fui saindo de tudo que me trazia desconforto, desgosto. Só que ainda tem os momentos em que o mundo não é grande o bastante.

Vivi muito pouco para dizer com categoria que vivi bastante, se é que entendem. Mas na verdade eu vivi bastante sim, ou pelo menos o suficiente. Suficiente para entender que muitas coisas não mudam, não melhoram, não passam e não curam. Tem situações que realmente precisamos construir uma maneira de escapar, mudar ou destruir de vez, porque simplesmente não dá pra conviver.
Olho pra todos os lados e é tanto barulho, tanta gente chata que grita só pra fazer outro se sentir mal. Ninguém parece se importar mais (e sei que não se importam), talvez nem eu me importe, mas eu consigo fingir.
Eu mudei completamente para entender os outros, para conviver melhor. Mas vejo que só criei uma nova forma de isolamento, do tipo "eu cuido disso, eu cuido daquilo" e não tem ninguém pra "cuidar" de mim. Eu realmente estou muito cansada dessa gentinha estúpida, dessa massa que só cresce e cresce e apodrece cada vez mais.

E é horrível crescer, com todas as responsabilidades, encarar, lutar, vencer e isso não parecer nada pra ninguém e de tanto não parecer nada às vezes até eu duvido.






Preciso de outra dose dessa com meu amor, ir pra onde não tem gente chata, assunto chato, mentiras, inveja e ódio. Sentir pelo menos um pouco que podemos ser infinitas o tempo todo e por que não, felizes o tempo todo?


domingo, 10 de maio de 2015

O fim é quase sempre previsível

Eu andei de pés descalços por tanto tempo, pisando em vidro como em ovos, tentando sobreviver. Respirando ar pesado, suportando cada golpe, cada problema.
Mais um analgésico por favor.

Eu chorei escondida, me camuflei ao máximo e passei despercebida quase sempre. Parecia não ter fim, sempre que passamos maus momentos tem sempre aquele cheiro de 'para sempre', e realmente o para sempre, sempre acaba.

Enfim, mais alguns analgésicos, horas de insônia, lágrimas, socos na parede, ódio engolido, quilos de ódio engolidos. Agora o fim se aproxima, nada parece real.
Estou tão calma que ouço o barulho do relógio no pulso a todo momento,
tic, tac, tic, tac, tic, tac, estou feliz?
Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tenho certeza?
Tic, tac, tic, tac, tenho.

Estou com medo de admitir e tudo dar errado no futuro,
tic, tac, tic, tac, não importa mais.
Nada importa quando acaba.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Toma um café que o mundo acabou faz tempo

Devo começar dizendo que só não me retirei voluntariamente desse mundo porque há 5 anos encontrei um motivo (ótimo motivo), não para ter esperanças (essas acabaram faz tempo) mas simplesmente para viver dia após dia com a alegria de saber que mesmo com tanta merda por aí, tenho um lugar pra chamar de meu.

Eu sempre fui assim, já tentei mudar várias vezes mas não dá, resolvi aceitar. Sempre fui reservada. Muitas vezes mantive (e ainda às vezes mantenho) minhas opiniões para eu mesma, não por medo, é que dá preguiça sabe? É tanta gente babaca com opiniãozinha "maiorista" que não quero nem perder meu tempo. Ainda bem que ainda conheço algumas pessoas com as quais posso conversar sem mimimi, apesar de serem bem poucas.

Eu tentei me enturmar, andar com a galera e muitas vez fiz isso. E exatamente quando deixei de compartilhar "ideais" da 'zuera', a galera se foi e eu fiquei pra trás (obrigada por isso).

Honestamente, eu não sinto falta do passado, não me arrependo, mas é que não sinto falta. E hoje tenho uma dificuldade enorme de me relacionar com as pessoas, por preguiça mesmo. Qualquer opinião demasiada grotesca, preconceituosa ou ignorante me faz perder completamente o interesse (mesmo que eu conheça a pessoa há anos).

Acontece que eu estou cansada demais, cansada de burrice, cansada de "ah, você é muito politicamente correta, bla bla". Cansada de gente que teve a personalidade moldada por coisas e pessoas que nem conhecem direito, mas defendem com unhas e dentes.

Estou cansada do ser humano, da maioria deles. Na existência do EU, somos a pior geração , ninguém se importa mais com ninguém, não há compaixão, ajuda, respeito. Só um bandozinho de egocêntricos ativistas de internet. Ainda temos bons exemplos, mas a necessidade de se separar e se diferenciar a qualquer custo tomou conta de tudo e todos.

Você pode até dizer "Ah, mas você é assim também. Não está aí dizendo que se afastou do mundo e tal?"

Eu não vou nem perder meu tempo.

Quisera eu amar o mundo como ele é, curtir o carnaval, 'deixar a vida me levar'. Mas eu não sou assim, nunca vou conseguir ser e bem, na verdade o azar é meu.

É como vi numa fotografia "Toma um café que o mundo acabou faz tempo".

Obrigada por existir meu amor.

"Me leva pra sair
Que não sou mais daqui.
Não conheço mais essa gente
Que sempre conheci.
Me leva pra sair
Que só te ouvir falar já me faz tão bem.
Com você
Qualquer lugar é a minha casa".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Nobody's Diary 22/01/15

Certa vez, mais precisamente hoje, entrei num ônibus de volta pra casa.
Não havia um par de assentos vazios e com os olhos fiz o breve jogo de julgamento pela aparência que me faria decidir onde me sentar.

Sentei então ao lado de um velho tatuado, de fato não era a opção mais "bem aparentada" mas eu queria me sentar com alguém excluso, um 'outsider', marginalizado, julgado e cansado como eu. Tenho consciência que foi babaquice julgá-lo assim só por sua aparência, mas não importa mais.

Ao sentar-me ao seu lado, percebi que as tatuagens levavam nomes e faces de orixás, frases sem sentido, flores e máscaras, nada muito bem feito, mas era o que era. Refleti se realmente deveria ter sentado ali, se ele poderia me passar algo ruim. É triste o que a sociedade implanta na nossa cabeça desde cedo, não é? A gente julga até sem querer...

Depois, pensei o por que dele ter escolhido o candomblé ou seja o que for que ele era. Pensei vários motivos e por fim nada. Aquela figura virou passado e eu não me importava mais com quem ele era, o que fazia, mas me sentia extremamente confortável ao seu lado, porque ele não me olhava e nem veio conversar bobeiras curtas sobre o trânsito ou o calor.

Os minutos que se seguiram foram concentrados no livro que estou lendo, é incrível como realmente consigo me prender à leitura de forma a esquecer tudo ao redor.

Sei quando estou chegando em casa, pois o ônibus precisa entrar em uma rua fazendo uma acentuadíssima curva à direita. É uma subida e não há barreira de proteção, sempre imagino que o motorista pode desmaiar e passar direto. Às vezes me preocupa, às vezes não.

Fecho o livro às pressas, guardo na bolsa e ao me levantar, uma brisa leve passa pela janela e toca suavemente meu rosto, um sorriso se abre, pois sei que estou em casa.

E toda a aflição, tristeza, medo, até o senhor tatuado de orixás, se perdem como um grão de areia.
E assim eu volto, mudada, cansada, quebrada, mas enfim, feliz.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Insensato, insensível

É quase pecado pensar que sairemos ilesos de qualquer maldade humana.
Ora, não somos tão especiais assim.

Precisamos ser fortes, Agnes.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Para Agnes

Se lembra da janela que tinha no teu quarto?
Lembra que quando eu estava lá, tinha medo de colocar a cabeça pra fora dela?
Você achava engraçado eu ficar assim.

Então,
Hoje eu abri aquela janela. E eu saí por ela, escorregando pelo telhado de maneira engraçada.
Acabei por sair atrás do seu prédio, num lote vago.
Lá encontrei, entre sacos de lixo e restos de materiais de construção, uma amêndoa.
É, uma amêndoa.

E olhando-a bem de perto percebi que ela tem a cor exata dos teus olhos.
Ou seriam teus olhos a cor exata dela?
Ovo ou galinha.
Isso não importa, mas eu achei engraçado.
Comecei até a pensar, que você insistia tanto na janela só para que eu pudesse encontrar lá nos fundos, a amêndoa.

E que talvez haja muito mais do que posso imaginar.
Por trás daquela janela.