domingo, 10 de maio de 2015

O fim é quase sempre previsível

Eu andei de pés descalços por tanto tempo, pisando em vidro como em ovos, tentando sobreviver. Respirando ar pesado, suportando cada golpe, cada problema.
Mais um analgésico por favor.

Eu chorei escondida, me camuflei ao máximo e passei despercebida quase sempre. Parecia não ter fim, sempre que passamos maus momentos tem sempre aquele cheiro de 'para sempre', e realmente o para sempre, sempre acaba.

Enfim, mais alguns analgésicos, horas de insônia, lágrimas, socos na parede, ódio engolido, quilos de ódio engolidos. Agora o fim se aproxima, nada parece real.
Estou tão calma que ouço o barulho do relógio no pulso a todo momento,
tic, tac, tic, tac, tic, tac, estou feliz?
Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tenho certeza?
Tic, tac, tic, tac, tenho.

Estou com medo de admitir e tudo dar errado no futuro,
tic, tac, tic, tac, não importa mais.
Nada importa quando acaba.